sábado, 27 de abril de 2013

Nostalgia em Datas


Brasil - SP
15/03/2013 - 15:28

As mensagens trocavam-se rapidamente mas não se igualavam na velocidade que estava o bater alucinado de meu coração. A ansiedade formava imagens mentais de como seria e como poderia ser. Sentia ela a caminho, caminhando sobre pensamentos sútis. Dizia que estava feia e parecia desanimada com isso... Na mensagem final ela dizia que chegou, final porque depois desta mensagem eu não precisaria pelos próximos 20 minutos tocar no celular. Por que tocaria? Ele era apenas a forma motivo que eu usava para enxergar e sentir por aquele pedaço de metal o portal entre meu coração e o sorriso dela.

Não vi seu rosto quando ela saiu pela catraca a seis metros de onde eu estava, mas a reconheci porque ela expirava o amor que eu deposito na essência de seu pequeno coração. Além de seu andar e jeito sútil de perceber o ambiente. Mandei outra mensagem dizendo que estava atrás dela, e esperei sorrindo enquanto a mensagem não chegava, a seguindo, a sentindo daquela pequena e quase imperceptível distância. Olhei o movimentar gracioso de seu bumbum, o seu cabelo grande como uma sereia num mar de pedra, numa cidade suja esperando para que seu príncipe dos sete mares a levasse a uma ilha paradisíaca.

Até que diante do farol ao olhar a mensagem ela olhou para trás encontrando-me diante daquele instante no qual o Universo se reduzira a nós, ao meu sorriso ao vê-la, ao seu olhar ao ver-me, ao seu tamanho singelo que atraía meus braços com a vontade de envolvê-la e protegê-la. Ao atravessar, pela primeira vez na vida, eu não reconhecia o farol, o lugar, nem mesmo o brilho do sol entrelaçando pelos meus óculos escuros, tudo que eu reconhecia era o sentimento de uma paz diferente que se desenvolvia ao lado dela.

A brisa do vento mostrava-se presente, mas o amor era mais sútil. Ela andava devagar, mas eu desejava em silêncio que não andássemos, que o tempo parasse e a eternidade se desfizesse por todas estrelas do céu. E que num último suspiro estrelar... Aquele amor desse origem a um novo tipo de eternidade, onde o tempo pare diante de um encontro entre dois corações.

O caminhar pela calçada era constituído de conversas simples, uma união de risadas. A voz dela era como o sussurrar de anjos dizendo-me que tudo ficaria bem, que aquilo era e sempre será amor. No final do pequeno encontro, que ainda repercute como um eco sentimental pelas memórias tão vivas, a abracei com carinho, beijei sua bochecha e tentei dar-lhe um selinho! Mas o reflexo dela, sutilmente desviou-o. Não, não planejei este ato antes... Apenas senti que deveria fazê-lo. Foi natural, embora não aconteceu. Mas senti como num pincelar desnudo e geladinho o nariz pequeno e macio daquela que chamo de amor.

L.A.

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