sábado, 27 de abril de 2013

Dr. Manhattan


1987 
Chicago - Stateway Gardens 

Bolas quebravam janelas quase todas as tardes, e nas outras os garotos gastavam o dinheiro, que só pela existência já os faltavam, em jogos de fliperama. Assaltos são comuns, mas na verdade ninguém se importa. A maioria ali já roubou algo, um pedaço de pão em uma padaria, uma maçã em um supermercado, uma vida numa esquina...

Com 17 anos, Luiz anda pelas ruas esburacadas e avermelhadas em algumas partes, lendo seu HQ do Watchmen. Seu personagem preferido é o Dr. Manhattan. 

A maneira que ele vê o passado, o presente e o futuro em uma única linha, sendo capaz de saber exatamente o que pode acontecer... Além de conseguir se teletransportar para qualquer parte do Universo e viver sob qualquer atmosfera, é lindo" - pensa, enquanto ao seu lado um garoto não retira os olhos do HQ, desejando possuí-lo mas sem a coragem suficiente para rouba-lo. Porém o que ele mais gosta no HQ não é propriamente o herói, mas a namorada do herói. É desses garotos que ainda fantasia e acredita existir um amor de verdade por aí... Talvez não machucou o coração o suficiente, ou sempre será um bobo a acreditar em coisas bobas. A frente de sua casa é a única com cor em todo o bairro. Vermelho, branco... Luiz cuida de rosas que ele mesmo plantou. O único ponto onde o vermelho não surgiu da violência e o branco não é misturado com o cinza do cimento... Ganhou as sementes ao limpar a casa da senhora Lizbeth. É o único no bairro que nunca roubara nada, nem corações...

Ele poderia viver assim para sempre, sem conhecer as nuances de uma cicatriz sentimental doce a azeda e o gosto de lágrimas suplicantes. Leria feliz seus HQs e ajudaria velhinhas a atravessar a rua. As rosas floririam mais e mais... Trocando seus brotos e furando dedos com seus espinhos. Porque rosas são geniais. Trazem em si mesmas a beleza e a dor implícitas em toda a sua forma em vida. Contudo... A vida muda, pessoas mudam de cidades... E mesmo Stateway Gardens sendo um bairro extremamente pobre, pessoas também  vão morar ali. E a neta de Lizbeth assim foi. Tati seu nome, festeira, pouco sentimental, um tanto ranzinza para a sua idade mas é só um reflexo da sua preguiça mental. 

Pobre Luiz... Ao ir limpar a casa da senhora Lizbeth não imagina  quem e o que iria encontrar. Estavam sozinhos, ao vê-la Luiz paralisou-se, sua boca entre abriu, o coração disparou e teve que levar a mão ao peito porque parecia que o coração iria pular para fora. Encontrou em Tati um sentimento novo, coisas novas a nos mudarem por dentro... Tati não se importou com ele. Um garoto fora do comum, apenas seu ar já ressoava estranhamento pela casa, imagina sua personalidade! Ela gosta é dos garotos com carros, dos que têm dinheiro roubado, tem sede de perigo e  não sabe medir limites.
-Meu personagem preferido é o Dr. Manhattan - disse Luiz à garota, suas primeiras palavras.
Ele sempre planejou isso, para ele todos conheciam seu personagem preferido! E sendo o seu herói romântico, sábio e incrível a garota com certeza se apaixonaria por ele também. Afinal somos o reflexo de nossas escolhas. Infelizmente uma garota com aquela mentalidade não sabia disso. Luiz está prestes a se chocar com a realidade.

 -Nunca fui nessa cidade, o dinheiro está na cômoda quando sair.
Limpar o chão nunca fora tão doloroso. O esfregar do pano parecia levar séculos para chegar dum ponto ao outro. Mas um produto especial limpava tudo agora: Lágrimas. Ouviu enquanto limpava os vidros Tati marcar com um garoto para ir numa festa a noite. E pelas conversas a noite não trará apenas uma festa social... Mas também particular.
-Posso cuidar melhor de você do que ele - sussurra Luiz.
De repente, quase que subitamente toda a casa começa a tremer forte, os quadros caem quebrando e o barulho de jarras caindo trinca o outrora silêncio em fortes barulhos. O teto da sala despenca tampando a saída, quase todos os cômodos caem, menos o da sala, onde Luiz e Tati estão. Estão presos e temendo a própria vida. Neste momento Luiz tem uma ponta enorme de inspiração. Corre e abraça Tati que se encontra em lágrimas e com os olhos esbugalhados.
-Tudo ficará bem, meu amor - ele diz.
O "tudo ficará bem" soa como algo clichê na mente dela, e não acalma, mas o "meu amor" desbugalha seus olhos e provoca uma sensação estranha em sua mente. Nunca ouvira essas palavras. Sem querer ela empurra Luiz e olha com desdém para ele, mas segundos depois o volta a abraçar. O medo de morrer é maior do que o medo de si mesma. Aos poucos ela se acalma completamente. E pelas horas que se passam... Eles conversam bastante, Luiz explica o significado romântico e filosófico do seu herói, no começo ela não quer nem ouvir, mas aos poucos acha muito interessante, afinal ela não tem para onde fugir. Luiz conta também sobre as rosas que ele cuida e como acha bonito o contraste delas com as cores da rua. Tati aos poucos se apaixona por ele... Ela não imagina que alguém com essa idade poderia ser tão encantador. Eles esquecem até que estão presos por horas, muitas horas, sorriam juntos, e se beijam depois de longos minutos olhando um para o outro. Tati é outra pessoa,  horas com alguém inteligente sendo capaz de absorver o que ele diz dilacerou sua ignorância. Se beijam longamente, os segundos passam lentamente, e não percebem um barulho estranho acima de suas cabeças, um ruído de algo a se quebrar.
É o teto! Que buscando assassinar aquele momento... Cai em cima dos dois, ela por cima dele, olhando em seus olhos, com sangue em sua boca. Sussurra pingando sangue no rosto dele:
-Foram as melhoras horas da minha vida...
-As minhas também, meu amor.
Ela parece sorrir e sua alma escapa lentamente...
As falas foram traduzidas fielmente. Horas depois os corpos foram encontrados, morreram abraçados e com o sangue em junção.

L.A.

Karma


O drama da idade chega a todos, e este fato incancelável não é diferente para o velhinho Joaquim, mas primeiro tenho que mostrar que ele não é um senhor daqueles que ficam na cadeira de balanço enxergando o passado em imagens no horizonte. Ele é um ótimo apicultor, mas não ama as abelhas propriamente ditas. É que o gosto do mel provindo de tantas flores lhe lembra sempre o destino dos amores não correspondidos... E o zumbido das abelhas lhe desperta as lembranças de seus gemidos de dor em sua juventude sem amor. Quando está a deliciar uma colher de mel, imagina-se jovem novamente e pega-se a fantasiar um futuro com sua primeira amada, a Madalena, e por a impossibilidade de realização de sua mais intima esperança, aos 88 anos de idade pensa em suicídio!

A alegria da idade chega a todos, e este fator dependente de vivências intensas são é diferente para a velhinha Madalena, vive a viajar pelo mundo... Seu país preferido é a Noruega, o fluxo dos rios e a forma singular que os traços das montanhas traçam no horizonte lhe desperta uma curiosidade estranha: O que poderia ter sido dos amores que não foram? Teriam sido melhores do que os que foram? Mas logo volta a sorrir novamente, é dessas velhinhas abobadas que não deixou sua criança interior morrer. E no fundo tem uma certeza - tão falsa -: Ninguém da juventude deve se lembrar de mim. Viaja com a foto de seu neto de 16 anos, Bartolomeu, para sua avó, ele é um garoto muito lindo.

O sofrimento da juventude chega a todos, e este destino ligado a valores estéticos e aspectos de personalidade não é diferente para o adolescente Bartolomeu. Tímido mas intenso, feio - no conceito social - por fora, mas lindo - no conceito neo humano - por dentro, vivia de amores platônicos, e era feliz com eles. Esquecia na mesma velocidade que se apaixonava e assim ninguém sofria. As imagens mentais de suas muitas paixonites serviam para brotar sorrisos e nunca lágrimas. Para ele, isso era amor. Doce engano juvenil... Ao voltar das férias uma nova garota chegou em sua sala, não linda como julgaria as mentes mais devassas e nem com um corpo escultural como desejaria os jovens mais sexuais... Mas para Bartolomeu, ela é perfeita, a personificação do conceito espiritual e amoroso da perfeição, claro que não pensou sobre isto, e sim sentiu tudo isso em apenas um segundo. Descobriu o amor e seu peito pela primeira vez doeu, pulsando e doendo... Um misto de necessidade corporal e companhia eterna. Teve que reavaliar e reestruturar toda a sua vida e seus conceitos sobre paixão e amor, chorando, e pensando sem parar naquela aluna nova tão digna de ser amada. Mudou completamente, desde seus sentimentos a suas visões de mundo, mas Letícia nunca saberá disso.

O drama da mudança chega a quase todos... E esta necessidade de outra cidade variável conforme os acontecimentos da cidade anterior não é diferente para Letícia. Teve que abandonar amigos e um possível namorado que o julgava lindo - nos valores estéticos mais elevados. Não é fã de nenhuma matéria da escola. Ao contrário, as horas na sala de aula passam sobre ponteiros de angustia, pois quer muito ir para casa apreciar pelo Skype o seu antigo possível namorado. Não sente nada de profundo por ele além de um enorme desejo sexual. Ingenuidade visionária... Mesmo que se casem - o que eu acho difícil - o tempo apagara os traços belos tratando de revelar a verdadeira face. Somente o amor é eternamente belo. A primeira reação dela a chegar na sala de aula foi uma total repugnância para um garoto muito feio que não parou de olhar para ela.

As falsas promessas e a falta de caráter nascem em quase todos... E estes aspectos, infelizmente, são parte da identidade de Michael. Em paixão a distância com Letícia, diz que a ama, forma corações com as mãos na tela, fazendo biquinho e deixando de propósito seu cabelo cair sobre a testa. Além é claro do brilho dos seus olhos verdes refletidos pelo sol que entra pelo seu quarto com uma prancha de surf pregada na parede. Com certeza, tem rosto e jeito de modelo. Pela manhã quando Letícia vai para a escola, ele acorda cedo para tentar prosperar romances com sua vizinha de 19 anos. Joga cantadas e a envolve com seu charme e sempre a beija intensamente. A tarde volta para falar com seu "amor" a distância na esperança de um dia ela mostrar os seios na web cam. Algumas tardes ele gosta de surfar e se exibir para outras garotas na praia. Algumas pessoas não sabem usar sua beleza natural de forma equilibrada. Este surfista é um destes.

É claro que o ciclo de vida não se encerra aqui... A vizinha bajulada pelo surfista terá um amor correspondido que perderá em um acidente de carro. Em uma quarta-feira do mês que vem um tubarão arrancará a perna de Michael e ele ficará semanas sem entrar na internet. Com isso, Letícia chorará na sala e Bartolomeu irá tentar ajuda-la, mas ela gritará na frente de todos com ele... Triste, fugirá de casa deixando apenas um papel com uma frase: "Sem amor, ter a vida não é suficiente". Sua vovó ao ficar sabendo dessa frase terá um lampejo sentimental gigantesco e tentará encontrar Joaquim, mas se conseguirá ou não, isto dependerá de ações e reações que acontecem a todo instante e ligam e desligam pessoas, formas e destroem possíveis futuros e marcam o passado.

L.A.

Inicio Reinício - Amor

-Não quero te perder - disse ele abraçando-a, não apenas com os braços, mas com a sua aura que cintilava um rosa lindo.
Ela abriu um largo sorriso que refletia a luz de um sol transcendente e puro, as emoções no plano espiritual são muito mais fortes e vívidas.
-Não estamos indo para nos perder e sim para nos encontrar novamente, lembra? E provar da verdadeira bússola universal, o amor.
De um verdadeiro certo modo, o que ela sentia, ele sempre sabia reconfortar e transmutar. Não sentiam medo, estavam tomados por uma certeza única, de mãos dadas andaram até a luz, então as mãos antes juntas, se separaram e seus espíritos foram levados para mães diferentes, e noves meses terrenos depois, nasciam em hospitais distintos e longínquos.

Lutero

Desde o primeiro beijo aos 14 anos uma sensação o assombra, sendo mais aguda em dias frios e nublados: Ao beijar uma garota na saída da escola sentiu como se nunca nenhum lábio o fosse satisfazer interiormente. É claro que o corpo gostava do beijo e os hormônios de pré-adolescente agitavam-se. Mas algo no fundo de seu espírito trazia a falta e o vazio. Os beijos eram bons, porém, não eram complementares, não faziam o tempo fluir mais devagar e não marcavam aura com cores puras e sinceras. Com o rugir do tempo, os beijos tornaram-se ainda mais vazios até que ele perdeu completamente a vontade de outros lábios. Com essa necessidade de sentir demasiadamente para ter a certeza, tornou-se um empático notável, embora preferisse sentir e desbravar o vento e não as pessoas. Odeia filmes românticos, não pelo drama, mas por conta do vazio que eles despertam no coração, como se ele soubesse que pode viver um amor mais verdadeiro que qualquer filme, contudo não sabe como e por onde começar.

Letícia

O que mais gosta de fazer é olhar para o horizonte, principalmente o pôr do sol. Procura algo que as nuvens escurecendo ocultam entre as estrelas. Algo distante, mas de muita importância. Não se sente propriamente vazia, mas com a necessidade de encontrar algo muito precioso, sente que precisa partir em busca de um tesouro. 
Por este aspecto psicológico, as vezes foge de casa e corre pelas ruas. Como se fosse encontrar um diamante na próxima esquina, a família sempre a encontra em algum beco escuro e vazio, não chorando, mas com um olhar profundamente sem brilho. Passou por muitos relacionamentos intensos, não duraram. Despertavam certa intensidade, mas não tinham uma fórmula alquímica secreta que faz a intensidade permanecer e principalmente amadurecer: a sincronia.

Os Dias E Anos Vindouros

Lutero nunca viajou para fora da cidade onde nasceu, ganhou a casa dos pais depois que estes se foram. A partir de sua sensibilidade desenvolveu uma aversão a civilização, embora o coração o empurre para fora de casa. O tamanho do que ele sente o assusta, precisa de alguém para segurar sua mão, mas nunca nenhuma se encaixou com a sua: sombras que não formam nada  além de escuridão. A única vez que saiu de casa, foi quando seus pais ainda estavam vivos, na verdade, Lutero fugiu por três dias quando lua cheia reinava nas noites, chorando pelas ruas escuras e dormindo de dia na floresta, perguntava as pessoas desconhecidas se viram uma certa mulher com as descrições de seu mais profundo subconsciente. Ninguém nunca a vira, ninguém a conhecia. Ele não sabia que suas memórias eram de outra era. Vive agora do que planta em sua horta, acostumado com o seu vazio interior, às vezes, mas poucas vezes... olha para o horizonte, como se encontrasse outra pessoa que está olhando para ele também.

Letícia viajou e conheceu os grandes centros urbanos, os grandes monumentos históricos. Adquiriu grandes riquezas para tentar saciar a necessidade de algo além. Mas o dinheiro não satisfaz todas as pessoas. Algumas encontram sua alma gêmea nas notas de cem reais, não é o caso dela. Não possuía dinheiro para comprar as coisas que amava: O pôr do sol, a lua cheia que a ligava a algo ou alguém do outro lado do país ou a felicidade do amor que tanto almejava. Mesmo que vendesse a necessidade por outra metade de sua alma perdida, não conseguiria nem ao menos as estrelas.

Ela, morreu aos 78 anos e ele aos 84 anos. Morreram sem viver em plenitude porque o amor não teve dias floridos para aquelas duas almas, não se reencontram como haviam prometido um para o outro. Talvez não reencarnaram para aprender sobre o que mais sabiam: o amor. E sim, para aprender sobre o que não sabiam: a enorme falta que um amor verdadeiro causa. Sem o amor verdadeiro, a realidade é apenas ela mesma: dura e impenetrável, o corpo jamais acende a fogueira da essência e os olhos nunca imitam as estrelas a brilhar.

Quem sabe eles não se reencontraram além da realidade física, em outros mundos infinitamente maiores que este, mas que um único pensamento puxa para perto quem faz parte dos laços que nos atam.

L.A.

Nostalgia em Datas


Brasil - SP
15/03/2013 - 15:28

As mensagens trocavam-se rapidamente mas não se igualavam na velocidade que estava o bater alucinado de meu coração. A ansiedade formava imagens mentais de como seria e como poderia ser. Sentia ela a caminho, caminhando sobre pensamentos sútis. Dizia que estava feia e parecia desanimada com isso... Na mensagem final ela dizia que chegou, final porque depois desta mensagem eu não precisaria pelos próximos 20 minutos tocar no celular. Por que tocaria? Ele era apenas a forma motivo que eu usava para enxergar e sentir por aquele pedaço de metal o portal entre meu coração e o sorriso dela.

Não vi seu rosto quando ela saiu pela catraca a seis metros de onde eu estava, mas a reconheci porque ela expirava o amor que eu deposito na essência de seu pequeno coração. Além de seu andar e jeito sútil de perceber o ambiente. Mandei outra mensagem dizendo que estava atrás dela, e esperei sorrindo enquanto a mensagem não chegava, a seguindo, a sentindo daquela pequena e quase imperceptível distância. Olhei o movimentar gracioso de seu bumbum, o seu cabelo grande como uma sereia num mar de pedra, numa cidade suja esperando para que seu príncipe dos sete mares a levasse a uma ilha paradisíaca.

Até que diante do farol ao olhar a mensagem ela olhou para trás encontrando-me diante daquele instante no qual o Universo se reduzira a nós, ao meu sorriso ao vê-la, ao seu olhar ao ver-me, ao seu tamanho singelo que atraía meus braços com a vontade de envolvê-la e protegê-la. Ao atravessar, pela primeira vez na vida, eu não reconhecia o farol, o lugar, nem mesmo o brilho do sol entrelaçando pelos meus óculos escuros, tudo que eu reconhecia era o sentimento de uma paz diferente que se desenvolvia ao lado dela.

A brisa do vento mostrava-se presente, mas o amor era mais sútil. Ela andava devagar, mas eu desejava em silêncio que não andássemos, que o tempo parasse e a eternidade se desfizesse por todas estrelas do céu. E que num último suspiro estrelar... Aquele amor desse origem a um novo tipo de eternidade, onde o tempo pare diante de um encontro entre dois corações.

O caminhar pela calçada era constituído de conversas simples, uma união de risadas. A voz dela era como o sussurrar de anjos dizendo-me que tudo ficaria bem, que aquilo era e sempre será amor. No final do pequeno encontro, que ainda repercute como um eco sentimental pelas memórias tão vivas, a abracei com carinho, beijei sua bochecha e tentei dar-lhe um selinho! Mas o reflexo dela, sutilmente desviou-o. Não, não planejei este ato antes... Apenas senti que deveria fazê-lo. Foi natural, embora não aconteceu. Mas senti como num pincelar desnudo e geladinho o nariz pequeno e macio daquela que chamo de amor.

L.A.